116 provérbios navais – A lista definitiva de provérbios náuticos e termos de navegação

A língua evolui com o tempo. Em constante mutação, adopta palavras e expressões de outras línguas e até gírias completamente inventadas como frases comuns. O inglês existe há muito tempo e, por isso, adaptou-se e evoluiu desde os seus primórdios históricos até à língua que usamos atualmente.

Muitas frases e ditados que usamos todos os dias no século XXI têm uma origem náutica dos tempos dos marinheiros. É possível que já esteja a utilizar muitas delas nas suas conversas quotidianas e não saiba o verdadeiro significado que lhes está subjacente. É por isso que reunimos a lista definitiva de ditados navais e frases de navegação para que possa aprender a história por detrás deles. Por isso, içai a vela principal, meus queridos, e traçai um rumo para a descoberta.

Conteúdo

A nossa lista completa de ditados e frases navais

A Shot Across The Bow: Um tiro de aviso, seja literal, simbólico ou metafórico.

História: Este termo marítimo refere-se ao disparo de um canhão na proa de um navio adversário para indicar que está pronto para a batalha. As referências a esta frase na imprensa escrita remontam a 1939.

Acima do quadro: Referir-se a qualquer coisa que esteja à vista de todos.

História: Numa embarcação naval, os artigos e equipamentos podem ser armazenados no convés ou no porão do navio. Diz-se que um objeto armazenado ou visível do convés é mantido a bordo.

Tudo no mar: Um estado de confusão ativa, desordem ou desarranjo.

História: Esta expressão tem origem na natureza da navegação e era utilizada para designar qualquer situação em que o navio não pudesse ser visto de terra e pudesse potencialmente nunca mais regressar.

Indiferente: Estar num estado de indiferença.

História: Proveniente do holandês antigo “loef”, que significa barlavento, este termo era utilizado quando se referia a um navio que navegava mais a favor do vento e se separava do resto da frota.

Em confronto: Estar num jogo de disputa ou discussão inflexível.

História: Originalmente utilizado para selar o piche ou o alcatrão nas costuras do convés, o cabeçudo era também utilizado para dominar lutas e outros distúrbios entre marinheiros.

Mais um dia, mais um dólar: Uma expressão usada com resignação para se referir a uma atividade repetitiva e entediante, como a semana de trabalho.

História: Esta expressão remonta ao início do século XIX, quando os marinheiros americanos recebiam um dólar por um dia de trabalho. Era utilizado de forma semelhante à atual, na medida em que os marinheiros trabalhavam longas horas em condições cansativas por apenas um dólar extra no seu nome.

Qualquer porto numa tempestade: Um provérbio comummente utilizado para significar que, numa altura de dificuldades, qualquer solução é aceitável, quer seja completamente ideal ou não.

História: Quando estavam no mar, os navios ficavam ocasionalmente presos em galhas ou tempestades que podiam ser potencialmente perigosas tanto para o navio como para a tripulação. Em casos como este, o navio atracava no porto mais próximo, independentemente de ter ou não intenção de aí parar.

As the Crow Flies: Refere-se à distância mais curta entre dois pontos numa linha reta.

História: Esta frase antiga teve origem no século XVIII e referia-se ao hábito do corvo de seguir o caminho mais curto possível quando em voo.

At a Loose End: finalizar os pormenores ou requisitos de uma atividade.

História: Este termo refere-se à última tarefa do marinheiro, que consiste em juntar as pontas soltas para garantir que o navio está pronto e em forma.

Batten Down the Hatches: assegurar e fazer preparativos.

História: Acredita-se que esta expressão tenha origem na prática naval comum de ter de preparar as escotilhas dos navios para as condições climatéricas adversas que se aproximavam. As escotilhas foram concebidas para promover a circulação de ar fresco sob o convés e foram fixadas com ripas de madeira e lonas para manter os interiores secos.

Largo na viga: Ter ancas ou nádegas largas.

História: Pensa-se que tenha surgido do facto de a viga ser o ponto mais largo de um navio, mas este termo tem sido utilizado para designar a estatura de um indivíduo desde o início do século XX.

Bottoms Up: Acabar a bebida, muitas vezes rapidamente.

História: Este termo tem origem na prática comum de enganar os marinheiros ingleses para que se alistassem na Marinha quando não o desejavam. O marinheiro era manipulado para “aceitar o pagamento” por se ter alistado na Marinha, deixando cair uma moeda na sua bebida. Quando o truque se tornou bem conhecido, as pessoas lembravam-se umas às outras com a frase “de baixo para cima” para verificar se o copo continha um “pagamento” escondido.

Em geral: Referir-se a algo de forma ampla ou falar em geral de

História: Nos tempos dos marinheiros, a palavra “grande” era utilizada para designar uma situação favorável quando o vento era forte e as velas maiores podiam ser içadas para aumentar a velocidade. Depois, o termo “por” foi utilizado para significar “na direção de”. Por conseguinte, “em geral” significava manter-se ligeiramente afastado do vento para facilitar a influência sobre a direção do leme.

Chocar um bloco: Estar tão apertado que o movimento é muito limitado.

Historial: Nas embarcações navais, “block and tackle” era o nome do mecanismo utilizado para içar as velas. Quando a vela é içada em toda a sua extensão, os blocos ficam presos uns aos outros e não se podem mover.

Clean Bill of Health: Estar saudável, geralmente bem ou em boas condições.

História: Nos tempos da navegação marítima, uma das maiores preocupações para um navio no mar eram as doenças. Antes da partida, a autoridade portuária assinava um documento que atestava que a tripulação estava livre de doenças contagiosas

Limpar o convés: Para se preparar para uma perturbação, como o mau tempo, semelhante à frase “Batten down the hatches”.

História: Quando se preparavam para a batalha, os marinheiros tinham de retirar do convés quaisquer objectos que pudessem impedir os movimentos e atrasá-los.

Estar perto: Estar reunido numa área pequena.

História: Como se pode imaginar, o espaço era geralmente limitado no mar, mesmo a bordo dos maiores navios. Consequentemente, os locais de recreio onde os membros da tripulação passavam o seu tempo livre e dormiam eram muitas vezes apertados e apinhados.

Com fundo de cobre: Ser genuíno, estar em bom estado ou ser pouco suscetível de falhar.

História: Utilizado pela primeira vez pela Marinha Britânica no século XVIII, os navios eram revestidos com uma camada de cobre para proteger as pranchas de madeira dos vermes e das cracas. Tornou-se muito popular quando provou ser eficaz na proteção do casco dos navios e aumentou a velocidade e a manobrabilidade do navio na água.

Cut and Run: fugir, abandonar algo, deixar algo incompleto.

História: Muitas vezes pensa-se que se refere ao corte de uma linha de âncora, mas é muito mais provável que a frase “cortar e correr” se refira à prática de amarrar as velas de um navio de cordas quadradas com cordas que podiam ser cortadas, em vez de desamarradas, se as velas precisassem de ser içadas rapidamente.

The Cut of One’s Jib: Referir-se, com um tom negativo, à aparência ou ao comportamento de um indivíduo.

História: Os marinheiros utilizavam o termo “corte” para se referirem à qualidade ou ao estado de algo como uma vela. A bujarrona é um tipo de vela que ajuda a manobrar o navio. Por conseguinte, o termo descreve a natureza ou a qualidade do carácter ou da personalidade de um indivíduo.

Morto na água: Estar num estado/posição para progredir ou crescer.

História: A origem desta frase não é tão conhecida, mas pensa-se que deriva do facto de os peixes mortos flutuarem normalmente até à superfície, onde podem ser facilmente vistos pelos marinheiros nos seus navios.

Entregar um Broadside: Atacar um ao outro com palavras.

História: Nos tempos das primeiras guerras navais, os navios disparavam as suas armas ou canhões em conjunto num único lado do navio, frequentemente o lado virado para o adversário.

Devil to Pay: Uma tarefa difícil ou aparentemente impossível.

História: Esta expressão naval refere-se, de facto, à aplicação de piche ou alcatrão ao longo do “diabo”, a costura mais comprida do casco do navio, que era conhecida por ser um dos piores trabalhos que um marinheiro podia ter.

Desvalorização: ser alvo de uma repreensão severa ou de uma ação disciplinar.

História: Num navio, o ato de “vestir” as velas de um navio consistia em revesti-las com alcatrão ou óleo para renovar a sua qualidade e eficácia. Diz-se também que um oficial ou marinheiro que cometeu uma infração e foi repreendido para não repetir o erro no futuro recebeu uma “reprimenda”.

Coragem holandesa: Coragem falsa ou imprudente que resulta do facto de se estar embriagado.

História: No século XV, circulou propaganda dos ingleses que afirmava que os marinheiros holandeses eram cobardes e que só conseguiam lutar quando estavam intoxicados com grandes quantidades de álcool.

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Avançar: Avançar com cautela, muito lentamente.

História: Com origem nos anos 1500, os navios avançavam com precaução, virando repetidamente de um lado para o outro.

Até a quilha: Para manter um progresso calmo e constante.

História: Num navio, a quilha ajuda a manter a embarcação na vertical e actua como contrapeso em relação ao mastro. Diz-se que uma embarcação que está de pé e não é influenciada pelas correntes de ar está “em equilíbrio”.

Fazer falta: cometer um erro ou engano.

História: Muitos termos náuticos utilizavam o termo “foul” para se referirem a situações indesejadas. A própria falta significava estar emaranhado, ou impedido de progredir. Uma âncora suja é uma âncora que está emaranhada e inutilizável de momento. Um “foul berth” descreve um navio que se posicionou demasiado perto de outro e que existe um risco elevado de os dois navios colidirem.

Fathom: tentar descobrir ou chegar ao fundo de algo. Deduzir com base em factos.

História: Uma braça é uma unidade de medida náutica equivalente a 6 pés e utilizada para medir a água no mar.

Figura de proa: Um líder conhecido sem qualquer poder ou autoridade real.

História: Num navio, a figura de proa era uma figura ornamental utilizada para proteção religiosa ou para fins puramente decorativos.

Obstruir: Atrasar ou perturbar a aplicação de uma legislação.

História: Este termo tornou-se popular no espaço naval americano durante o século XIX para descrever os esforços coordenados para impedir que fosse tomada uma ação sobre um projeto de lei.

First Rate: Ser o melhor, da mais alta qualidade, da maior habilidade.

História: Desde 1500 até ao advento das embarcações a vapor, os navios da Marinha Britânica eram classificados de 1 a 6, sendo que os de primeira categoria tinham 100 ou mais canhões e os de sexta categoria eram fragatas com apenas 20 a 48 canhões.

Flotsam e Jetsam: Objectos sem valor real.

História: Nos primórdios do direito marítimo, flotsam e jetsam eram utilizados como termos jurídicos para descrever as mercadorias que se tinham perdido de um navio em resultado de um naufrágio, bem como as que tinham sido atiradas propositadamente para estabilizar o navio em tempos de vento forte ou condições adversas.

Liberdade de movimentos: Ser livre para fazer o que quiser.

História: Se não estiver segura, a parte inferior da vela, designada por pé, pode abanar e mover-se ao sabor do vento.

Do tronco à popa: A totalidade de algo.

História: Este termo refere-se à distância total entre a parte da frente e a parte de trás do navio.

Voar com cores: Concluir algo com um elevado nível de qualidade.

História: Se um navio sobrevivesse a uma batalha com relativamente poucos danos e com a sua bandeira hasteada, era descrito como tendo “as cores da bandeira”.

Começar a viagem: Iniciar uma viagem

História: Este termo náutico referia-se à esteira ou rasto deixado por um navio à medida que avançava na água.

Dar uma grande distância: Desviar-se de, dar uma boa distância entre

História: Quando um navio lançava a âncora, dizia-se que estava “atracado”. Os navios precisavam de deixar uma distância razoável entre si para evitarem uma colisão quando se deslocavam ao sabor do vento ou da maré.

Passar pelo Conselho de Administração: Acabar com, já não é necessário.

História: Num navio, a prancha é o revestimento ou o convés de um navio. Acredita-se que este ditado náutico tenha origem no ato de deixar cair algo na água a partir do costado do navio.

Fazer borda fora: Cair numa massa de água, normalmente de um barco ou navio.

História: Os marinheiros chamavam “Homem ao mar” se vissem um marinheiro cair na água a partir do navio.

Queixar-se: queixar-se ou ter um problema

História: Um gripe é um termo náutico utilizado para descrever uma embarcação que foi mal concebida e que, por isso, a proa tende para o vento, fazendo com que a vela se abane, impedindo a progressão e tornando o navio difícil de manobrar.

Grog/Groggy: para descrever o álcool, geralmente de má qualidade.

História: No século XVIII, o vice-almirante Sir Edward Vernon decretou que o meio litro de rum que cada marinheiro tomava por dia devia ser regado com igual quantidade de água. Os marinheiros apelidaram o Vice-Almirante de “Velho Groggy”, pois usava um casaco Grogam no convés. A mistura de rum diluído passou a ser designada por “grogue” e aqueles que bebiam demasiado eram referidos como “grogue”.

Groundswell: uma mudança crescente na opinião do público.

História: Uma súbita subida de água ao longo da costa em águas calmas, que se diz ser o resultado da agitação das águas de uma tempestade a muitos quilómetros de distância, atinge a linha de costa e provoca a subida do nível da água.

Hand Over Fist: atuar rapidamente com determinação

História: Este provérbio náutico descreve a ação de um marinheiro que utiliza mãos alternadas para içar rapidamente uma vela.

Hard and Fast: ter a certeza de, sem dúvida, sem debate

História: Nos tempos dos marinheiros, o termo “duro e rápido” era utilizado para descrever uma embarcação que estava encalhada em terra e não podia ser movida.

Hard Up: estar em estado de necessidade

Historial: Em termos náuticos, colocar o “leme a toda a velocidade” significa posicioná-lo o mais longe possível numa determinada direção. O ditado completo. ‘Hard up in a clinch and no knife to cut the seizing’ era usado pelos marinheiros para se referirem à chegada de um desgosto sem solução.

Haze: celebrar a chegada de um recém-chegado a um grupo através de embaraço ou humilhação, a fim de instaurar a autoridade

História: Nos tempos dos marinheiros, os capitães e outros níveis de autoridade exigiam que a sua tripulação trabalhasse longas horas durante o dia e a noite, mesmo quando necessário, sem outra razão que não fosse torná-los miseráveis.

Estar em situação de desespero: Ser deixado num estado de desespero, sem recursos ou ajuda

História” Este provérbio marítimo refere-se a um navio que está encalhado ou retirado da água há algum tempo e que se espera que assim permaneça no futuro.

Perseguição ativa: Estar em perseguição ativa de algo

História: Este termo é, de facto, retirado da guerra naval, na medida em que, de acordo com a lei, um inimigo que tentasse escapar à batalha navegando em águas neutras poderia ser seguido e capturado, desde que o combate tivesse começado em águas internacionais.

Hulk/Hulking: para descrever algo que é grande e desajeitado

História: Este termo naval era utilizado para descrever um navio que não parecia estar em condições de navegar.

Estar bem: Descrever uma situação como sendo agradável, que está a correr como esperado, que está a correr bem

História: Pensa-se que este ditado naval provém de marinheiros americanos que usaram o termo para descrever uma rua popular no Japão chamada Honcho-Dori, que era frequentada por marinheiros solitários.

Em estado de choque: Estar triste, cansado ou aborrecido

História: Esta expressão foi utilizada durante o século XIX para descrever uma zona de águas calmas típica da região diretamente a norte do equador, entre os chamados ventos alísios. Os navios apanhados nesta zona podem, por vezes, ficar imobilizados, sem vento, durante longos períodos de tempo. Por isso, estar “de rastos” significava estar num estado de espírito baixo.

Em vias de acontecer: Iminente ou suscetível de acontecer em breve

História: Nos tempos dos marinheiros, a “proa” era um termo utilizado para descrever a área do mar que podia ser vista de terra. Assim, se um navio fosse visto nesta zona, isso significava que em breve estaria atracado no porto e em segurança.

Ocioso: Estar parado sem fazer nada, muitas vezes quando há trabalho a ser feito

História: Num navio da marinha, “ocioso” era utilizado para designar um membro da tripulação que não era obrigado a fazer vigília durante a noite devido à natureza do seu trabalho. Os carpinteiros, os marinheiros e os cozinheiros, por exemplo, desempenhavam as suas funções durante o dia e, à noite, eram “ociosos”.

Júri: uma improvisação.

História: Esta expressão comummente utilizada na linguagem atual foi em tempos usada para descrever uma reparação de emergência necessária para manter um navio danificado capaz de continuar a navegar até poder atracar no porto mais próximo.

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Transportador de quilha: Receber um forte castigo ou repreensão por um determinado ato ilícito.

História: De origem bastante sinistra, este termo era o nome dado a um castigo severo aplicado aos marinheiros nos anos 1400 e 1500, em que o infrator era amarrado a uma corda, atirado ao mar e arrastado repetidamente sob a quilha.

Caír: Cair ou falecer

História: Ainda hoje, a quilha é um componente fundamental da maioria dos tipos de navios à vela. Actua como um contrapeso para o mastro e mantém o barco estável em condições que, de outra forma, fariam com que o barco se virasse. Se um navio “virou a quilha”, rolou e começou a afundar-se ou, em terra, simplesmente tombou.

Conhecer o terreno: Estar familiarizado/competente numa determinada tarefa.

História: Os navios altos navegados pela marinha antes do advento dos navios a vapor eram accionados por uma série de cordas que controlavam os mecanismos e as roldanas que accionavam as velas. Estes sistemas baseados em cordas eram complexos, pelo que os marinheiros eram obrigados a memorizar as configurações, para que fossem utilizados corretamente. É evidente que isto leva tempo, pelo que um marinheiro menos experiente pode não “conhecer as cordas” tão bem como um marinheiro que navegue há mais tempo.

Landlubber: Pessoa que não gosta, prefere não estar ou não está habitualmente na água

História: Termo náutico utilizado pelos marinheiros para descrever as pessoas que passavam a maior parte do tempo em terra ou que preferiam não estar no mar.

Lime: Um cidadão britânico

História: Com base no facto de os marinheiros ingleses de 1800 receberem rações de limas para ajudar a prevenir o escorbuto, “Limey” tornou-se um termo para descrever um marinheiro da Marinha Real Britânica.

Aprender as técnicas: Dedicar algum tempo a perceber como executar uma nova tarefa

História: À semelhança de “Knowing the Ropes”, este ditado náutico refere-se à prática de aprender como funcionavam os sistemas de cordas e roldanas num Tall Ship.

Margem de manobra: Uma atribuição de espaço, literal ou metafórica, para permitir uma margem de erro

Historial: Quando se navega, o “lado do tempo” do navio é aquele que está virado para o vento e o “lado de sotavento” é o mais próximo de terra. Se um navio não dispusesse de “margem de manobra” suficiente, havia pouca margem de erro antes de o navio ser arrastado para terra ou para os rochedos.

Deixar o gato fora do saco: Revelar o que anteriormente não estava seguro ou era secreto

História: Nos primeiros tempos dos marinheiros, o “gato de nove caudas” era o nome de um chicote feito de corda com as extremidades não entrançadas que deixava feridas nas costas semelhantes às arranhadelas de um gato.

Como os navios que passam na noite: Um quase encontro, a passagem de duas entidades sem o conhecimento da outra

História: Ao contrário dos navios a vapor que lhes sucederam, os navios à vela fazem muito pouco ou nenhum ruído quando avançam. Por conseguinte, é muito provável que os navios não se conheçam uns aos outros quando navegam na escuridão

Diário de bordo: Um registo meticuloso de pormenores oficiais acompanhado de dados como datas e horas

História: Os navios da marinha e da marinha mercante utilizavam uma tábua de madeira presa a um cabo para medir a velocidade a que o navio se deslocava. A unidade era calculada contando os nós da corda que passava pelas mãos dos marinheiros à medida que se deslocavam. Por acaso, foi daqui que surgiu a unidade “nó”, uma medida que ainda hoje utilizamos na água

Desatento: Estar num estado de desmotivação, com falta de energia ou entusiasmo

História: Nos tempos dos marinheiros, se um barco estava apático, significava que a embarcação estava inativa na água, sem o balanço caraterístico que se faz quando o navio é impulsionado para a frente pelo vento.

Longo curso: Um período de tempo alargado.

História: Este termo era utilizado para descrever qualquer tarefa a bordo que exigisse o arrastamento ou a atração de uma grande quantidade de linha para o convés do navio.

Long Shot: Uma situação em que o resultado pretendido ou preferido é considerado improvável de ocorrer.

História: Os antigos navios de guerra utilizavam canhões como principal forma de armamento, que muitas vezes falhavam em termos de precisão. Os diferentes canhões também tinham diferentes alcances máximos que dependiam da sua conceção, idade e qualidade. Se um navio disparasse para além do seu alcance e desse um tiro longo, era pouco provável que atingisse o alvo.

Loose Cannon: Utilizado para descrever uma pessoa, um objeto ou uma situação que é instável ou suscetível de causar problemas se não for acompanhado.

História: Devido ao seu enorme peso, os canhões de um veleiro eram fixados para evitar que se deslocassem com as ondas do mar, uma vez que um canhão solto causaria imensos danos ao veleiro ou à tripulação.

Base: Um elemento crucial, algo de que dependem outras coisas.

História: Num navio alto ou em embarcações à vela semelhantes, a escora era uma corda crucial que percorria o comprimento do topo principal até ao pé do mastro de proa.

Compensar a folga: Compensar o tempo perdido ou desperdiçado.

Historial: Em termos náuticos, a “margem de manobra” referia-se ao grau de desvio de uma embarcação em relação à rota prevista.

No Room to Swing a Cat: Um espaço pequeno ou confinado.

História: Quando um marinheiro ia ser castigado com o gato de nove caudas, toda a tripulação era obrigada a assistir. Por conseguinte, não havia espaço para o chicote.

A bordo: fazer ou tornar-se parte de um grupo ou equipa.

História: Em termos náuticos, vir a bordo significava juntar-se à tripulação do navio.

No caminho certo: Estar a ir na direção certa, em direção ao resultado correto.

História: Numa embarcação naval, se um marinheiro pegasse na corda ou no carril errado, isso poderia significar que o navio iria na direção errada.

On Your Ends/On Your Beam Ends: Estar numa situação má.

História: Num navio de mar, as vigas de madeira percorriam o comprimento horizontal do navio. Se estas vigas estivessem perto da água, isso significava que o navio poderia virar-se e afundar-se.

Over the Barrel: Ser incapaz de mudar de ideias ou de escapar a uma situação.

História: Na época das viagens marítimas, o castigo mais comum aplicado aos marinheiros era o chicote ou a flagelação. Normalmente, o tripulante a castigar seria amarrado a uma grade segura ou a um barril.

Prepotente: Manipular um estado de poder de uma forma que deixa os outros desconfortáveis

História: Este termo refere-se ao ato de navegar contra o vento de outro navio, bloqueando ou “roubando” o seu vento, atrasando-o.

Revisão: Desmontar algo e refazê-lo completamente, como se fosse do zero.

História: Este termo era o nome dado ao ato de a tripulação ser enviada para cima, entre as velas, para puxar os cabos de amarração por cima das velas, para evitar o atrito.

Exagerar: Deslocar-se demasiado depressa ao ponto de falhar o alvo

Historial: Numa situação em que um navio mantém a sua viragem durante demasiado tempo, terá ultrapassado o seu ponto de viragem e terá agora de navegar uma distância maior para alcançar a sua próxima posição de viragem.

Sobrecarregar: Estar num estado de sobrecarga emocional ou ser dominado por algo

História: Este termo naval deriva do inglês antigo para um barco que se virou.

Pipe Down: Um apelo ao silêncio.

História: Nos primórdios da marinha, o cachimbo do contramestre era utilizado como instrumento de comunicação com a tripulação do navio. Neste sentido, a “descida das redes” era o último sinal do dia, o que significava que a tripulação podia ir para baixo e descansar durante a noite.

Cagado: Ficar desidratado, cansado.

Historial: Em termos de estrutura e disposição do navio, o convés mais alto na parte de trás do navio era designado por convés da popa. Se um navio fosse atingido por uma grande onda que o inundasse pela parte de trás, dizia-se que tinha sido “cagado”.

Pressionar para o serviço: Ser pressionado, forçado, orientado a tomar uma decisão específica.

História: Nos primeiros tempos, o recrutamento para a marinha era muito difícil, pois os homens sabiam que o trabalho era difícil. Para ultrapassar este problema e preencher as suas quotas de recrutamento, os “Gangs da Imprensa” raptaram ativamente homens dos portos em terra e obrigaram-nos a trabalhar para a Marinha.

Empurrar o barco para fora: Gastar dinheiro generosamente, sem reservas.

História: Este termo naval tem origem no ato de ajudar alguém a empurrar o seu barco ou embarcação para a água. Este era considerado um ato de generosidade, uma vez que os navios eram muitas vezes demasiado grandes para serem empurrados para o mar por um só homem. Mais tarde, o termo foi utilizado para designar o ato de gritar uma rodada de bebidas ou de lhes pagar uma guloseima.

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Ratos que abandonam um navio que se está a afundar: Deixar ou abandonar uma atividade, organização ou escola de pensamento antes que falhe completamente.

História: Era muito comum que os navios no mar transportassem um grande número de ratos a bordo, quer recolhidos no porto, quer arrumados em caixotes ou contentores de comida carregados no convés. No caso infeliz de o navio se afundar, os ratos tentariam escapar saltando para o mar azul profundo.

A gerir um navio apertado: Sob controlo, perfeitamente em ordem.

História: A expressão teve origem em meados do século XX e baseia-se nas cordas apertadas de um navio à vela, aludindo a um navio que está em ordem e sob controlo e, de um modo geral, bem tratado.

Sailing Close to the Wind: Envolver-se numa atividade de risco, não permitir uma margem de erro.

História: Nos tempos dos marinheiros, navegar perto do vento significava orientar o barco na direção de onde o vento soprava. Isto encheria as velas e moveria o barco a um ritmo mais elevado de nós. No entanto, qualquer pequeno ajuste faria com que o navio saísse da direção do vento e perdesse velocidade imediatamente.

Raspar o barril: Recolher a última quantidade que resta de algo, ficar com uma escolha que não é a ideal.

História: Nos anos 1600, os navios de guerra transportavam carne salgada em barris. Os marinheiros verificavam o fundo destes barris vazios quando tinham fome para recuperar quaisquer restos que pudessem ter sido deixados para trás.

Rumores: Rumor ou boato.

História: Nos tempos de marinheiro, os marinheiros trocavam mexericos num “scuttlebutt”. Trata-se de um barril de água com um orifício que servia para distribuir água potável.

Abanar a perna: Levantar-se da cama, pôr-se em movimento.

História: Pensa-se que, nos primeiros tempos da marinha, este termo era utilizado como ordem para os membros da tripulação saírem das suas redes e começarem os preparativos para o dia. Acredita-se também que o termo pode ter vindo do facto de as mulheres serem autorizadas a entrar a bordo quando o navio estava no porto e, assim, a tripulação sabia quando uma mulher ainda estava a bordo e precisava de ser acordada e levada para terra antes de zarpar.

Shipshape e Bristol Fashion: Ser da melhor qualidade e estar pronto para partir.

História: Este termo marítimo tem várias origens prováveis. Bristol, em Inglaterra, tem um dos fluxos de maré mais variáveis do mundo, pelo que os navios tinham de ser bem construídos e mantidos para resistirem às marés baixas. Pode também dever-se ao facto de esta parte do mundo ter tido padrões extremamente elevados em termos de equipamento e serviços navais antes de Liverpool ocupar o seu lugar.

Shiver Me Timbers: Uma expressão de aborrecimento ou surpresa.

História: Nos anos 1300, a palavra “arrepio” significava ficar partido ou cair em pedaços. Há algum debate sobre se este ditado é de facto real ou simplesmente inventado como parte do folclore dos piratas.

Show One’s True Colours: Cometer um ato que revele o verdadeiro carácter de alguém, frequentemente utilizado de forma negativa.

História: Numa embarcação naval, as cores referiam-se à bandeira hasteada antes de iniciar uma batalha. Uma prática comum era a de alguns navios arvorarem deliberadamente a bandeira incorrecta para enganar os seus inimigos.

Arranha-céus: Um edifício ou estrutura alta

História: Este termo moderno, frequentemente utilizado para designar a arquitetura industrial de grande escala nas cidades, refere-se, na realidade, a uma pequena vela colocada acima do que se designava por skysail, a fim de maximizar a quantidade de vento captada pelas velas.

Sling Your Hook: Ir-se embora, afastar-se, afastar-se.

História: Há muita discussão sobre se este ditado tem origem nos tempos dos marinheiros. Aqueles que acreditam que tem as suas raízes na história náutica acreditam que pode referir-se ao levantar da âncora do navio antes de fazer a vela.

Slush Fund: Uma quantia de dinheiro afetada à utilização de suborno ou influência.

História: Nos anos 1800, os cozinheiros dos navios vendiam em terra uma mistura de gordura resultante da cozedura da carne de vaca salgada para alimentação no mar. Este dinheiro era depois utilizado em benefício da tripulação ou do próprio cozinheiro e designado por “fundo de manobra”.

Navegação tranquila: Progresso fácil sem impedimentos ou dificuldades.

História: O termo “smooth sailing” refere-se à navegação em águas calmas, sem grandes ondas ou mares agitados.

Filho da mãe: Uma exclamação de surpresa, aborrecimento, agressão.

História: No caso de ter nascido a bordo do navio uma criança da esposa ou companheira temporária de um dos tripulantes, muitas vezes no convés de armas. Se ninguém soubesse quem era o pai, era registado como sendo o “filho da mãe”.

Refeição quadrada: Uma refeição nutritiva e de boa qualidade.

História: Este termo deriva muito provavelmente do facto de os marinheiros servirem as suas refeições em pratos de forma quadrada. No entanto, a partir de 1500, a palavra “quadrado” passou a significar que algo era íntegro, correto ou simples.

Squared Away: Para descrever um assunto que foi satisfatoriamente concluído e/ou tratado.

Historial: Numa embarcação naval de vela quadrada, as velas eram descritas como estando “ao quadrado” quando devidamente aparadas, fixadas e dispostas da forma correcta.

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Pego de surpresa: Estar num estado de surpresa, incapaz de falar.

Historial: No caso de um tripulante desatento ao leme, o vento podia ir parar ao lado errado das velas, o que fazia com que o navio fosse empurrado para trás.

Tirar-lhe o vento das velas: Desmotivar alguém ou retirar-lhe a iniciativa.

Historial: Se um navio navegar entre o vento e outro navio, o primeiro pode ficar mais lento, uma vez que a quantidade de vento nas suas velas é reduzida.

Revezamento: Trocar uma atividade entre duas ou mais pessoas.

História: Nos tempos dos marinheiros, os membros da tripulação trocavam de relógio ao girar de uma ampulheta. O objetivo é evitar acidentes e contratempos que possam resultar da fadiga.

Three Sheets to the Wind: Estar num estado de intoxicação.

História: Num navio, uma corda é chamada de lençol. Se as velas de um navio com três mastros se soltassem no rumo das três baixas, as velas começariam a bater e o navio perderia toda a direção pretendida.

Through Thick and Thin: Continuar, independentemente da situação.

História: Pensa-se que este ditado náutico tem as suas raízes no facto de se utilizarem a bordo roldanas grossas e finas para içar as velas.

Tide Over: Uma pequena quantidade de algo, como dinheiro, para o levar de um ponto para outro.

História: Nos primórdios da marinha, os navios deslocavam-se sobretudo sob a influência do vento. No entanto, ocasionalmente, quando o vento não era suficientemente forte, o navio movia-se simplesmente com a maré. Esta situação foi designada por “maré alta”.

Seguir a linha: Agir com cautela, seguir as regras.

História: Num navio de guerra, a tripulação alinhava os dedos dos pés ao longo da costura das tábuas de madeira do convés.

Trim One’s Sails: Adaptar ou mudar para se ajustar a uma circunstância diferente da que foi originalmente fornecida

História: Em caso de alteração das condições climatéricas, a tripulação alterava o conjunto de velas do navio de acordo com as novas circunstâncias.

Tentar uma tática diferente: Tentar uma tática ou método diferente ao lidar com uma situação ou problema

Historial: Quando se faz uma viragem de bordo ou uma mudança de direção na navegação, por vezes a nova direção acaba por ser incorrecta. Neste caso, o timoneiro teria de tentar de novo.

Fazer vista grossa: Ignorar, fingir que não se viu algo.

História: Esta expressão comummente utilizada tem origem nas acções do Almirante Lord Nelson na Batalha de Copenhaga. Durante a batalha, foi dado um sinal para cessar os combates e bater em retirada. Em resposta, o Almirante apontou o óculo ao seu olho cego e mais tarde insistiu que não tinha visto o sinal.

Touch and Go: Estar numa situação incerta.

História: Este termo marítimo era utilizado para descrever uma situação em que um navio navegava em águas pouco profundas e, ocasionalmente, tocava no fundo e voltava a avançar, sem ficar encalhado.

Virar a esquina: Ultrapassar um marco ou acontecimento vital que teve um elevado grau de influência.

História: Pensa-se que esta frase foi cunhada por marinheiros depois de contornarem o Cabo da Boa Esperança ou o Cabo Horn e continuarem a sua viagem.

Debaixo do Tempo: Estar a sentir-se mal, não a si próprio.

História: Numa embarcação naval antiga, eram atribuídas várias vigias aos membros da tripulação para se manterem atentos ao perigo. Muitas vezes considerado o pior posto de vigia que se pode atribuir, o lado “meteorológico” da proa estava muitas vezes sujeito ao balanço e à rotação do navio, bem como às numerosas ondas que rebentavam sobre a proa. O membro da tripulação a quem era atribuído este turno terminava o seu turno encharcado e descrito como tendo estado “sob o efeito do tempo”.

Andar na prancha: Ser expulso, removido ou literalmente cair de uma prancha no mar abaixo.

História: Um elemento básico do folclore pirata, andar na prancha era uma forma real de execução naval improvisada nos anos 1700 e 1800.

Assobiar para o vento: Esperar por um resultado improvável.

História: Pensa-se que este provérbio teve origem na superstição naval de que o vento podia ser invocado numa altura de águas paradas através do ato de assobiar para ele. Do mesmo modo, em caso de galés com excesso de vento, os membros da tripulação não devem assobiar.

Vantagem inesperada: Uma vantagem inesperada e potencialmente não merecida.

História: Este termo náutico era utilizado para descrever uma súbita rajada de vento que atravessava uma costa montanhosa e que permitia ao navio ganhar mais avanço.

E esta é a nossa lista completa de provérbios com origem náutica.

A etimologia de qualquer língua ou expressão é tão interessante quanto histórica. Esperamos que esta lista tenha explicado as origens náuticas por detrás de algumas das frases mais comuns utilizadas no nosso quotidiano.

116 provérbios navais - A lista definitiva de provérbios náuticos e termos de navegação 1

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